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A processionária: Uma ameaça silenciosa para os nossos cães

Cuidados e conselhos

A chegada da primavera traz consigo uma beleza natural que muitos apreciamos, mas também esconde perigos para os nossos cães. Um desses perigos, talvez menos conhecido mas igualmente preocupante, é a processionária, uma lagarta que pode causar graves danos aos cães e outros animais.

 

O que é a processionária do pinheiro?


A processionária do pinheiro (Thaumetopoea pityocampa) é uma espécie de lagarta comumente encontrada em regiões de clima temperado da Europa. Essas lagartas são conhecidas pelo seu comportamento gregário, formando procissões em fila indiana enquanto se deslocam dos seus ninhos nas árvores para o solo, onde se enterram para pupar e se transformar em mariposas.

Por que a processionária é tão perigosa para os cães?


Embora as lagartas processionárias pareçam inofensivas à primeira vista, são extremamente perigosas devido ao seu mecanismo de defesa natural. Estas lagartas estão cobertas por milhares de minúsculos pelos urticantes que contêm uma toxina altamente irritante chamada taumetopoeína. Esta substância atua como um potente alergénio, capaz de desencadear graves reações alérgicas e tóxicas em cães, outros animais e até mesmo em humanos.

O que torna a toxina taumetopoeína tão perigosa?

A taumetopoeína afeta principalmente as mucosas, a pele e as vias respiratórias. Quando um cão se aproxima de uma lagarta processionária, por curiosidade natural, pode cheirá-la, lamber ou, em alguns casos, ingeri-la. Este contacto ativa o mecanismo de defesa da lagarta, libertando os seus pelos urticantes no ar ou diretamente sobre o animal. Estes pelos são tão leves que podem até ser transportados pelo vento, o que aumenta o risco de exposição.

Efeitos do contacto nos cães:

1. Irritação imediata e dor intensa: O contacto com os pelos urticantes pode causar uma forte irritação, gerando dor intensa na zona afetada, especialmente na língua, lábios e focinho.

2. Reação alérgica severa: A exposição à toxina pode desencadear reações alérgicas graves, que incluem inchaço da língua e da garganta, o que pode obstruir as vias respiratórias do cão e provocar asfixia.

3. Necrose tecidual: Em casos onde a língua ou os tecidos moles sofrem uma inflamação severa, pode ocorrer necrose (morte do tecido). Se não for tratada de imediato, partes da língua podem desprender-se, gerando complicações graves e irreversíveis.

4. Choque anafilático: Nas situações mais críticas, o contacto com a lagarta pode desencadear um choque anafilático. Esta reação é potencialmente mortal, pois afeta o sistema cardiovascular do cão, podendo levá-lo à morte em questão de minutos se não receber tratamento veterinário urgente.

Outros riscos associados:

-Problemas respiratórios: Se os pelos urticantes forem inalados, podem irritar os pulmões e as vias respiratórias, gerando dificuldade respiratória e, em casos graves, falência respiratória.

-Lesões oculares: O contacto com os olhos pode causar conjuntivite, inflamação ocular severa e até perda de visão.

-Problemas digestivos: Se o cão ingerir a lagarta, pode sofrer vómitos, diarreia severa e úlceras no trato gastrointestinal.

Por que os cães são especialmente vulneráveis?

Os cães exploram o mundo através do seu olfato e boca. Esta curiosidade natural leva-os a aproximar-se das lagartas processionárias, o que aumenta o risco de contacto direto. Além disso, o seu focinho, língua e garganta são zonas altamente sensíveis, o que facilita que a toxina atue rapidamente e cause danos severos.

Como sei se o meu cão entrou em contacto com a processionária?


Detetar se o seu cão teve um encontro com a processionária pode ser crucial para agir rapidamente e evitar complicações.

Aqui deixamos alguns sinais a ter em conta:

-Os sintomas costumam aparecer de forma repentina. Em casos ligeiros, após um contacto mínimo, é possível observar uma inflamação localizada nos lábios e uma ligeira afetação da língua e mucosa oral, manifestada através de salivação excessiva. Além disso, é comum que os cães afetados pela comichão se mostrem inquietos e esfreguem o focinho no chão. Outros sintomas podem incluir estomatite e salivação exagerada.

-Quando o contacto é principalmente com a língua, os sintomas podem ser mais graves, com uma estomatite e inflamação da língua que vão desde uma boca entreaberta com salivação excessiva até uma língua inflamada e violácea que, com o tempo, pode necrosar e desprender-se parcialmente. Nestes casos extremos, o estado geral do animal é afetado, chegando mesmo a impedi-lo de comer ou beber, com risco de morte.

-Os sintomas de envenenamento por processionária em cães podem variar desde irritação na pele e dificuldade em respirar até inflamação da língua e da garganta, vómitos, diarreia e até choque anafilático. Em casos graves, a exposição às lagartas processionárias pode resultar na morte do animal se não for tratada rapidamente.

O que posso fazer se o meu cão entrar em contacto com a processionária?


A primeira coisa é proteger as mãos com luvas, pois os pelos urticantes também podem afetar as pessoas. Se não tiver luvas à mão, pode usar sacos ou outro material semelhante.

Lave a zona afetada com bastante água e sabão. Se a água estiver morna, melhor ainda, pois o calor ajuda a desativar a proteína causadora da reação alérgica.

É crucial levar o cão ao veterinário o mais rápido possível para receber tratamento. Dependendo da gravidade da reação alérgica, é possível que o animal precise ser hospitalizado.

 

Como posso prevenir o contacto com a processionária?


A melhor prevenção é evitar o contacto com as lagartas processionárias. Aqui deixamos algumas recomendações:

-Evite passear por zonas de pinheirais durante as épocas de trânsito das lagartas (aproximadamente de fevereiro a abril). Se o fizer, mantenha o seu cão com trela e tenha cuidado para não pisar as lagartas.
-Evite estas áreas em dias de vento forte, pois pode haver ninhos desprendidos.
-Leve sempre consigo sacos de plástico e água quando sair para passear pelo campo. Podem ser úteis em caso de emergência.


-Usar coleiras e trelas para evitar que os cães se aproximem das lagartas.
-Estar atento aos sintomas de envenenamento e procurar atenção veterinária imediata se suspeitar de exposição.

A processionária do pinheiro pode parecer inofensiva à primeira vista, mas para os nossos cães, representa um perigo real. É importante que estejamos atentos e tomemos medidas para proteger os nossos cães. Lembre-se, a segurança dos nossos cães está nas nossas mãos.